terça-feira, 3 de abril de 2012
Livros sonoros.
Livros sonoros: audiolivro, audiobook e livro falado.
Patrícia Silva de Jesus.
O mercado editorial está vivenciando um verdadeiro boom, uma avalanche de livros em áudio que, ao lado dos digitais para tablet, tem revolucionado o conceito de livro. No âmbito da Educação Inclusiva, os livros sonoros foram adotados como recurso complementar ao Sistema Braille. Pelas características comuns entre Livro Falado e Audiolivro, existe certa confusão conceitual naqueles que não estão diretamente ligados a este ramo da Acessibilidade, pois fundem ambos os formatos em uma só classificação.
Com o avanço das Tecnologias Assistivas [recursos tecnológicos para auxiliar pessoas com deficiência em suas atividades cotidianas] e outras tecnologias digitais, novas formas de produção de livros sonoros estão surgindo. Livros em DAISY, Mecdaisy, Livro Falado, Audiolivro são termos que diariamente se escuta ou se lê e isso requer um estudo mais atento sobre cada formato, bem como sobre o público a ser beneficiado com estas produções.
Audiolivro, Audiobook e Livro Falado: são todos a mesma coisa?
A origem do audiolivro [tradução de audiobook], versão artística de um livro de papel, assim como uma peça de teatro, um filme, uma novela etc, se confunde com a própria pós-modernidade. Existe uma metáfora do Bauman que fala sobre o homem correr em uma fina camada de gelo sem destino. Não sabe aonde vai, mas, se parar, afunda! O audiolivro é uma obra para atender a esse público pós-moderno que necessita fazer mil coisas enquanto corre na “superfície gelada” [ou mesmo durante os congestionamentos de automóveis nas grandes metrópoles]. Uma marca do audiolivro é a dramatização da leitura, às vezes feita por mais de um locutor, na maioria dos casos atores, contando com sonoplastia [trilha sonora e efeitos especiais], ambientando a obra e orientando a interpretação que o diretor deseja que o público leitor atinja. No Brasil um marco da produção de audiolivro foi a gravação da Bíblia Sagrada por Cid Moreira nos anos 90.
O Livro Falado tem registro de nascimento no Rio de Janeiro, em janeiro de 1970, por intermédio do professor cego Beno Arno Marquardt que, apoiado pela leitora Lenora Andrade, construiu um acervo de mais de cinco mil livros falados. Desde então, começou-se a chamar de leitor as pessoas com deficiência visual que liam (escutavam) os livros e de ledor aqueles que os liam para estes. Eram realizadas leituras voluntárias, dando origem ao Clube da Boa Leitura. O Livro Falado é um complemento do livro em Braille, tem um público especial e pode ser isento de restrições de direitos autorais pela lei 9.610/98 que assegura a reprodução de obras literárias para fim de educação de pessoas com deficiência visual, desde que não haja fim lucrativo.
Quanto à disposição do conteúdo, existem normas de acessibilidade a serem obedecidas, incluindo a busca por uma leitura bem pontuada, clara e viva, mas não dramatizada [quem tem que construir o significado do conteúdo lido é o leitor e não o ledor]. Existem especificidades também em relação à descrição de imagens [audiodescrição], elucidação de aspectos gráficos tais como aspas, parênteses, colchetes, soletração de termos estrangeiros, duração de cada faixa, etiquetagem em Braille e outras formas de acessibilidade. Atualmente é possível criar Livros Falados a partir de vozes sintetizadas muito semelhantes à voz humana.
A diferença mais marcante entre um audiolivro e o Livro Falado é mesmo a carga de emoção posta na leitura, já que é impossível interromper uma leitura artística para citar, por exemplo, início e fim de aspas ou soletrar uma palavra de idioma estrangeiro sem comprometer a estética da apresentação. Em termos mais técnicos, o Livro Falado é uma Tecnologia Assistiva, cujo objetivo é o acesso à informação com o mínimo de interferência de interpretação de terceiros e o Audiolivro é um desdobramento artístico de uma obra literária, não significando que uma pessoa cega não possa utilizar este último, caso deseje.
Certa vez, quando trabalhava em um setor de biblioteca especialmente desenvolvido para o atendimento a usuários com deficiência visual, um senhor cego me solicitou alguns livros sonoros e entre eles estava um audiolivro. Na devolução, eu quis saber sua opinião sobre a “audioleitura” e ele disse: “os livros sem dramatização na voz e sem trilha sonora me fazem ser mais independente; aquele com efeitos especiais me tiraram o gostinho único de interpretar a obra e construir meu significado com autonomia”. Essas palavras me tocaram profundamente e me motivaram a pesquisar mais sobre esses formatos.
Livro Digital Acessível no Padrão Daisy.
Os livros no padrão internacional DAISY (Digital Accessible Information SYstem), são obras audiovisuais que convergem imagem, texto e som em um só produto, podendo ser utilizado por pessoas com diferentes limitações sensoriais ou mesmo aquelas que não possuem deficiência legal.
Os livros em DAISY ainda são pouco conhecidos no Brasil. O Ministério da Educação [MEC] adotou esse formato e toda editora que deseje concorrer com seus livros nos processos licitatórios de obras didáticas e paradidáticas terão de apresentar uma cópia na versão digital acessível.
Livros neste padrão, quando gerados, apresentam-se em um diretório com dezenas de arquivos aleatórios de imagem, texto e som, sendo necessário um tocador específico para sincronizar os arquivos contidos neste diretório, objetivando a apresentação, na tela do computador, de uma obra sonora, imagética e, principalmente, acessível, já que as legendas descritivas das imagens deverão obedecer aos princípios da audiodescrição. Para que este diretório de arquivos aparentemente desconexos possa se sincronizar, é necessário um tocador específico, para apresentar texto, imagem e som simultaneamente, oferecendo ao leitor uma obra acessível, com soletração, inserção de comentários, saltos de páginas em uma situação análoga à da leitura em livros de papel.
No Brasil, o tocador mais utilizado é o Mecdaisy, desenvolvido pelo MEC, seguido do DDReader, desenvolvido pela Fundação Dorina, que distribui gratuitamente, para todo o país, livros acessíveis em Braille e audio há décadas. O tocador Mecdaisy e o DDReader são programas capazes de reproduzir livros no padrão Daisy, assim como o Winamp e o MediaPlayer são capazes de reproduzir arquivos em MP3. A extensão de um livro em DAISY é .opf
quarta-feira, 28 de março de 2012
Seminário: Educação e Responsabilidade Social Diante da Pessoa com Deficiência
O
seminário Educação e Responsabilidade Social Diante da Pessoa com Deficiência é
um evento do Fórum de Inclusão da Pessoa com Deficiência.
Temas:
Temas:
• Censo 2010: os números e tipos das deficiências – Implicações para a sociedade. Painelista: Antonio Carlos Munhoz*
• Educação e Responsabilidade Social diante da Inclusão – Painelista: Prof. Elizabete Cristina Costa-Renders**
Data:
• 29 de março de 2012.
Local:
• Anfiteatro do Edifício Sigma – Campus Rudge Ramos da Universidade Metodista de São Paulo (Rua Alfeu Tavares, 149 – Rudge Ramos, São Bernardo do Campo – SP).
Público Alvo
• Alunos e alunas das do Cursos de Licenciatura, alunos e alunas dos demais Cursos da Universidade, interessados/as e público em geral.
Participação Especial:
• Grupo de Danças Sentir, sob a coordenação da Profa. Rose Maria Sousa.
Contatos:
• Rev. Luiz Eduardo Prates da Silva – Coordenador do Fórum
telefone:
4366 5534 (Pastoral Universitária e Escolar)
e-mail:
luiz.prates@metodista.br
*Antonio Carlos Munhoz - ou Tuca Munhoz - é militante da causa da Pessoa com Deficiência, Presidente do Instituto MID – Comunicação e Cidadania com o qual a Universidade Metodista tem parceria na produção e divulgação do Programa “Minuto da Inclusão” veiculado por diversas rádios, com divulgação em grande parte do território nacional, especialmente no norte e nordeste, e Coordenador da Pastoral das Pessoas com Deficiência Arquidiocese de São Paulo.
** Elizabete Cristina Costa-Renders é titular da Coordenadoria de Extensão e Inclusão da Universidade Metodista de São Paulo, tendo exercido por vários anos a função de Assessora Pedagógica para a Inclusão da Pessoa com Deficiência. Sua dissertação de Mestrado e sua Tese de Doutorado (em processo de finalização) têm como temática a Inclusão das Pessoas com Deficiência.
*Antonio Carlos Munhoz - ou Tuca Munhoz - é militante da causa da Pessoa com Deficiência, Presidente do Instituto MID – Comunicação e Cidadania com o qual a Universidade Metodista tem parceria na produção e divulgação do Programa “Minuto da Inclusão” veiculado por diversas rádios, com divulgação em grande parte do território nacional, especialmente no norte e nordeste, e Coordenador da Pastoral das Pessoas com Deficiência Arquidiocese de São Paulo.
** Elizabete Cristina Costa-Renders é titular da Coordenadoria de Extensão e Inclusão da Universidade Metodista de São Paulo, tendo exercido por vários anos a função de Assessora Pedagógica para a Inclusão da Pessoa com Deficiência. Sua dissertação de Mestrado e sua Tese de Doutorado (em processo de finalização) têm como temática a Inclusão das Pessoas com Deficiência.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Curso a Bíblia e as Pessoas com Deficiência
Curso de Extensão Cultural
A Bíblia, a Teologia, a Pastoral
e as Pessoas com Deficiência.
Construindo a Teologia da
Inclusão
Introdução
O Curso de Formação Bíblica, Teológica
e Pastoral e as Pessoas com Deficiência – Construindo a Teologia da Inclusão,
no quadro da Educação Continuada, com caráter de Extensão
Universitária, no Módulo Pastoral, pretende contribuir com a formação, a
prática e a espiritualidade dos participantes.
O tema geral desse módulo terá uma temática e enfoques específicos: as
pessoas com deficiência na Bíblia, o contexto sociocultural em que estavam
inseridas as pessoas com deficiência durante o período da pregação de Jesus. As
pessoas com deficiência no mundo de hoje; o papel e o desafio das Igrejas
cristãs para a inclusão social das pessoas com deficiência; o direito à
religiosidade e à espiritualidade das pessoas com deficiência.
O curso será ministrado em um módulo
de 45 horas, por especialistas.
Local:
Sala São Luiz, Paróquia São Luiz, Av. Paulista, 2378 Cerqueira César, CEP
01310-300.
Justificativa
A Teologia da Inclusão tem como
propósito, edificar uma Igreja inclusiva, na qual todas as pessoas tenham um
lugar e uma contribuição a dar. Isso envolve providenciar um modelo de ser
Igreja defendendo a participação, a inclusão e envolvimento ativo das pessoas
com deficiência em todos os setores da vida espiritual e social, bem como, do
desenvolvimento da Igreja.
Objetivo Geral
Introdução ao estudo da Bíblia, das
passagens e referências às pessoas com deficiência, da Teologia e da Pastoral trazendo-as
para a contemporaneidade à luz do que há de mais avançado na concepção de
deficiência sob o ponto de vista social e emancipador.
Objetivos específicos
Coordenadores do curso
Prof. Pe. Ms. José Bizon
Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo – PUCSP
Faculdade de Teologia Nossa Senhora da
Assunção – Campus Ipiranga.
Antonio Carlos “Tuca” Munhoz
Coordenador da Pastoral das Pessoas
com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo
Presidente do Instituto MID
Comunicação e Cidadania.
Público
alvo, número de vagas e requisitos de acesso;
O curso será destinado a coordenadores
de comunidades, grupos, pastorais e movimentos, agentes de pastoral,
religiosos/as, ministros extraordinários, catequistas e pessoas vinculadas às
paróquias, comunidades, pastorais, movimentos e pessoas interessadas em geral
de diferentes denominações religiosas que desejarem aprofundar seu conhecimento
teológico e social no campo dos direitos humanos das pessoas com deficiência.
Para ingressar no curso, o aluno, deverá
apresentar no ato da matrícula:
Carga horária total e duração
As
aulas acontecerão nos seguintes sábados: 14 de Abril, 12 de Maio, 16 de Junho,
14 de Julho, 11 de Agosto, 15 de Setembro, 20 de Outubro e 10 de Novembro, totalizando 45 horas de curso, ao longo do ano
de 2012.
Início
no dia 14 de abril e encerrando no dia 10 de novembro.
Horário:
Manhã e tarde. Manhã, das 9:00 às 12:00 horas, tarde, das 13:00 às 16:00 horas.
Ao
todo serão oito sábados.
Metodologia
Aulas
presenciais.
Certificados a serem concedidos
Será
concedido certificado de extensão cultural PUC SP COGEAE.
Corpo docente
Conteúdo
programático do curso
Referências bibliográficas de cada conteúdo;
Investimento:
Matrícula: R$ 22,00.
Mensalidade: R$ 10,00.
Coordenadores:
Pe. Ms. José Bizon e Tuca Munhoz.
Realização:
Coordenadoria
Geral de Especialização, Aperfeiçoamento e Extensão – COGEAE PUC São Paulo.
Informações:
pastoralpessoascomdeficiencia@gmail.com
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Quase todos os dias de manhã saio um pouquinho com minha filhinha, Leona, para tomar um solzinho. Moro em Santa Cecília, frequentemente ouço palavras de carinho e de benção de muitas pessoas e também da parte de moradores de rua e de usuários de crack. Fico muito feliz e me emociono sempre.
Um dia desses uma moça, em péssimas condições devido ao vício e ao abandono, se aproximou querendo acariciar a Leona, confesso que tive receio, mas permiti, a moça a acariciou por alguns segundos, sorriu, agradeceu, desejou boa sorte e se afastou, como qualquer outra pessoa teria feito.
Foi uma benção. Mais uma.
sábado, 28 de janeiro de 2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Causo corriqueiros
1. Quem está precisando de ajuda?
Fui um dia desses, logo
cedo, à agência dos correios da Rua Martin Francisco para postar para uma amiga
do Rio de Janeiro o livro 30 Anos do Ano
internacional das Pessoas Deficientes.
Resolvi ir por um caminho
novo: o lado par da Rua das Palmeiras. Caminho que utilizo muito pouco, já que
a acessibilidade desse lado da rua era muito ruim. Agora, com a instalação de
guias rebaixadas em algumas esquinas a acessibilidade está apenas ruim, pois o
estado de conservação das calçadas é lamentável.
Um dos piores trechos é o
da entrada da garagem da Rádio CBN, onde, talvez pelo próprio abandono do
local, vários moradores de rua tomam por quarto de dormir (e banheiro).
Ao passar por lá uma
dessas pessoas, um homem jovem, em lamentável e triste condição, gemia e
implorava por um prato de comida.
Passei alguns metros, como
tantas vezes passo por tantos outros que me pedem. Não resisti, porém, às suas
súplicas, voltei e coloquei em sua mão uma moeda de um Real. Ele olhou para
mim, primeiro para meus olhos, depois para minha cadeira de rodas e perguntou:
o senhor precisa de ajuda?
Moral
da história (preconceituosa): todas as pessoas com deficiência precisam de
ajuda.
2. Todos são amigos.
Fiz amizade com o Manoel,
um contumaz, fiel e ébrio frequentador do bar aqui em frente do meu prédio.
Quase todos os dias o vejo
sentado sempre à mesma mesa na calçada. Às vezes estou lá com ele bebendo uma
também.
Ontem, ao chegar de algum
compromisso vi que ele estava lá. Subi, deixei a papelada sobre a mesa, dei
meia dúzia de beijos na patroa e fui para minha cerveja em companhia do Manoel.
Chegando ao bar não o
encontrei na mesa da calçada. Entrei e perguntei a um funcionário pelo meu
amigo, dizendo que eu o tinha visto numa mesa do lado de fora, agorinha mesmo.
Disse-me o funcionário: “Ele
está lá, está lá fora, sim.” Voltei para fora e vistoriei todas as mesas,
enroscando minha cadeira de rodas em algumas. Não o encontrei.
Retornei ao funcionário
que insistiu e decidiu me acompanhar. Fomos até a última mesa na ponta da
calçada, onde estavam dois homens, ilustres desconhecidos, um deles em cadeira
de rodas, para o qual o funcionário que me acompanhava apontou e disse: “Olha o
seu amigo aí.”
Moral
da história (preconceituosa): todas as pessoas com deficiência são amigas.
3. Somos parecidos?
Fui à casa do meu amigo
Sacha, que, como eu, também usa cadeira de rodas motorizada.
Ao ir embora, estava parado
na esquina para atravessar, quando vi surgir um senhor oferecendo-se para parar
o trânsito para que eu atravessasse. Eu lhe disse:
— Não
é necessário, pode deixar que atravesso sozinho, o farol vai fechar logo, aí
então eu atravesso.
Ele não se convenceu, foi
indo para o meio da rua com os braços levantados, enquanto gritava:
— Vem
Seu Sacha, vem Seu Sacha...
Moral
da história (preconceituosa): todas as pessoas com deficiência são iguais.
Considerações acerca da Campanha "Esta vaga não é sua nem por um minuto".
Está
acontecendo, sobretudo na internet, uma Campanha muito legítima, necessária e
válida, que tem por nome “Esta vaga não é sua nem por um minuto”.
Essa
campanha, iniciada em Curitiba por Mirella Prosdócimo, que também utiliza
cadeira de rodas, tem por objetivo
conscientizar e sensibilizar motoristas para que não utilizem irregularmente
vagas de estacionamento demarcadas e reservadas para pessoas com deficiência, o
que é, infelizmente, uma prática muito comum.
Já
há algum tempo, por opção, não tenho dirigido, mas dirigi por muitos anos, e
inúmeras vezes não encontrei vagas reservadas para estacionar, tanto em locais
públicos como particulares, por terem sido ocupadas por automóveis dirigidos
por pessoas sem deficiência.
Sempre
que encontrava o motorista infrator, protestava e informava da exclusividade da
vaga de estacionamento para pessoas com deficiência. Deparei com todo tipo de
respostas, desde desculpas sinceras até as mais esfarrapadas ou pior, mal
educadas. Uma das desculpas mais comuns, ouvidas não só por mim, mas por
muitíssimas outras pessoas com deficiência sempre foi: “É só por um minutinho,
vou até ali e volto já”. Daí o nome da Campanha: Esta vaga não é sua nem por um
minuto.
Espero,
com esta matéria, contribuir para que as pessoas não deficientes respeitem as
vagas de estacionamento das pessoas com deficiência, e também dos idosos,
sempre claramente demarcadas.
Mas,
como disse acima, há alguns anos deixei de dirigir, e por morar em uma região
privilegiada de São Paulo em termos de transporte coletivo, o bairro de Santa Cecília,
tenho utilizado ônibus e, sobretudo, Metrô. E graças à minha cadeira de rodas
motorizada faço também grandes trajetos “a pé”.
E
é aí que o bicho pega, pois tanto o transporte coletivo, e, principalmente, as
calçadas de São Paulo, deixam muito a desejar.
Com
a nova lei sobre a conservação dos passeios públicos, chamada Lei das Calçadas,
espero que a situação melhore, pois mesmo no Centro da cidade a conservação é
péssima, além da falta de padronização e regularidade. Em muitos locais a
inclinação das calçadas para favorecer a entrada e saída de veículos em
condomínios e estacionamentos inviabiliza a passagem de cadeiras de rodas.
Creio que nem se faz necessário falar sobre degraus entre as calçadas de
diferentes imóveis, o que é um absurdo e um grande desrespeito para todos os
pedestres.
A
falta de padronização é outro problema grave. Cada um faz, quando faz, a
calçada como bem entende. E, coloca na calçada o que bem entende. É comum
encontrar automóveis estacionados, quebradas devido ao plantio de árvores
inadequadas, lixeiras enormes, lixo depositado fora do horário e/ou em
proporções que impedem a passagem, bancas de jornal muito grandes, postes para
várias finalidades colocados sem planejamento e em quantidade excessiva, mesas
de bares e restaurantes, calçadas muito estreitas, etc.
Ainda
que me coloque favoravelmente, de maneira irrestrita, à Campanha para o
respeito às vagas de estacionamento para as pessoas com deficiência, considero
que seria ainda mais importante, e democrática, uma campanha pelo direito a
calçadas de boa qualidade para todas as pessoas. Afinal, como diz outra Campanha:
Somos todos pedestres.
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